Thursday, March 7, 2013

O Calendário de automobilismo brasileiro de 1973, II



Vez por outra escrevo sobre as idiossincrasias dos calendários brasileiros de antigamente. desta vez, vou escrever sobre o ano dos dois calendários, 1973.

Explico, no link abaixo, comentei sobre o calendário publicado na revista AE, no finalzinho de 1972, ao passo que alguns poucos meses depois, a QR publicou um calendário substancialmente diferente.

Pasmem, algumas das corridas foram realizadas, e no dia certo. Por exemplo, a corrida de 10 de junho da D4, que acabei de comentar, era denominada Copa Rodhia, estava no calendário e foi realizada no dia certo.

O mais curioso, foi o grande número de corridas programadas para Goiânia, ao todo OITO! De fato, de março a setembro, havia corridas programadas no autódromo em todos os meses. As provas de Goiânia inclusive previam a inauguração do autódromo, em 18 de março e a prova internacional Grande Premio Estado de Goias, que de fato aparecia no calendário da FIA daquele ano. Sem dúvida, havia muito otimismo, pois as obras do autódromo no começo do ano estavam bem aquém do esperado. No ano seguinte, Goiânia acabou sendo o único autódromo brasileiro a sediar provas de todos os campeonatos brasileiros.

Outras pérolas que não foram realizadas foram o Festival de Recordes de Cumbica - as duas corridas do Torneio Brasileiro de F2, previstas para 21 de outubro e 4 de novembro - a Copa Brasil, que tinha cinco datas reservadas em novembro e dezembro, incluindo corridas em Brasília, Interlagos e Tarumã.

Os 500 km de Interlagos estavam previstos com carros de Grupo 5, Divisões 4, 5 e 6. Acabou sendo realizado com carros da Divisão 1. Esta categoria, de fato, não aparecia no calendário, exceto no festival de Recordes!

A Cascavel de Ouro estava programada para 11 de novembro, como prova de Divisão 3. Acabou sendo realizada como prova de Divisão 4, já na pista asfaltada.
Quanto a Brasília, diversas pistas também apareciam no calendário, embora não aparecesse nenhuma corrida de inauguração.

O insistente CBVE continuava a aparecer no calendário da QR.

Carlos de Paula é tradutor, escritor, historiador e obcecado com certos assuntos

RESENHA DA TEMPORADA DE 1975



Por Carlos de Paula
A temporada brasileira de 1975 foi notável pelo alto nível de profissionalismo da Fórmula Super Vê, que contava com um campeonato brasileiro e um paulista. Os grids eram cheios, chegando a até 40 carros na etapa final em Interlagos, e o nível das equipes relativamente alto. A Diauto Condugel até contava com um mecânico inglês. O veterano Chiquinho Lameirão ganhou ambos os campeonatos, parecendo, no princípio do ano, que dominaria a temporada. Mas encontrou bastante resistência por parte de José Pedro Chateaubriand, Eduardo Celidônio e Alfredo Guaraná Menezes. O piloto mais rápido do campeonato, entretanto, foi Nelson Piquet, que com o Polar da
equipe Gledson preparado por Giba, liderou muitas corridas, mas terminou o ano só com 2 pontos.

A Avallone lançou seus carros de Fórmula Super-Vê e Fórmula-Ford, ganhando uma etapa do campeonato paulista de Super Vê, com Marivaldo Fernandes. A categoria atraiu certa atenção na mídia, com transmissões ao vivo de algumas etapas, e espaço destacado na cobertura de jornais diários, não especializados. Os resultados chegavam a ser anunciados nos principais noticiários televisivos, inclusive no Fantástico. A nata do automobilismo brasileiro participou do campeonato, inclusive diversos pilotos com experiência no exterior: Norman Casari, Ronald Rossi, Ricardo Achcar, Teleco, Mauricio Chulam, Milton Amaral, Tite Catapani, Julio Caio, Jan Balder, Mario Pati Jr., Marcos Troncon, Pedro Muffato, Rafaele Rosito, Luis Moura Brito, Fausto Dabbur, Newton Pereira, Edson Yoshikuma.


Em São Paulo, a Volkswagen reinstituiu a Fórmula Vê, com um campeonato paulista, disputado em conjunto com o Paulista de Super-Vê. Este foi caracterizado por um grande número de fabricantes de monopostos, grids cheios, e acabou sendo ganho por Mario Ferraris Neto. Entre os participantes encontravam-se Fernando Jorge e Luis Otavio Paternostro.


A Fórmula Ford ameaçou uma reação à supremacia da Super-Vê, mas o nível foi bastante inferior ao da categoria da VW. Clóvis de Moraes acabou ganhando o campeonato pela terceira vez, se bem que desta feita teve trabalho com o seu conterrâneo Francisco Feoli, da Equipe Telefunken. Além desses, o paulista Raul Natividade também ganhou uma corrida do calendário de seis provas. A grande maioria dos pilotos continuava a usar os já velhos Binos, mas com o aparecimento da Avallone, a categoria ganhou uma pouco de aparência de novidade. O Polar, carro com chassis monocoque, fora proibido em 1975.


A Caixa Econômica Federal deu um providencial ânimo às categorias não ligadas às fábricas, ou seja, as Divisões 3 e 4. Assim, ambas as categorias conseguiram cumprir calendários de seis provas, sendo a primeira categoria de apoio da Fórmula Ford, e a segunda, da Super-Vê. Na Divisão 3, os Opala tomaram verdadeira lavada dos Mavericks. Além do Maverick da Hollywood, agora com Luis Pereira Bueno, a Mercantil Finasa voltava com o seu carro para Paulo Gomes, que acabou ganhando quatro provas e o campeonato. Entre os Opala, só Julio Tedesco demonstrou regularidade suficiente para ameaçar a hegemonia dos Ford. Na categoria dos VW, Amadeo Campos foi campeão, mas os grandes nomes haviam desaparecido da classe. Os Chevette já prometiam ameaçar a hegemonia dos fuscas, com o gaúcho Ronaldo Ely e o paranaense Edson Graczyk.


A Hollywood também trouxe uma surpresa para a Divisão 4: o Hollywood-Berta, carro com motor Maverick, desenvolvido pelo argentino Oreste Berta. Este simplesmente acabou com a concorrência, que só ganhava quando o carro da Hollywood quebrava. Assim, Valdir Favarin, com um Manta-Chrysler, conseguiu ganhar uma prova, e Pedro Muffato outra. Na categoria A, Mauricio Chulam ganhou todas as corridas e foi merecido tetra campeão, apesar da bem intencionada participação de Newton Pereira. Essa acabaria sendo a última temporada de Divisão 4, e por muitos anos não se presenciaram corridas de protótipos no Brasil, de fato, até a década de 90.

O domínio de Greco continuava na Divisão 1, que ainda por cima contava com o serviço de José Carlos Pace, que abrilhantou o campeonato sempre que pode. Paulo Gomes acabou sendo campeão novamente, mas diversos pilotos de alta categoria abrilhantaram o campeonato: Jayme Silva, Camilo Christófaro, Marivaldo Fernandes, Mario Pati Junior, Alexandre Negrão em início de carreira, Arthur Bragantini, Mario Amaral, Walter “Tucano” Barchi. Francisco Artigas e Eduardo Doria ganharam a classe A, e Joao Palhares/Luis Tavares, a B. O Paulista de Divisão 1 continuou a atrair grids cheios e provas bem disputadas.


Nesse ano foi realizado um torneio para comemorar o lançamento do Maverick quatro cilindros, com a participação de diversos pilotos sul-americanos, além de Jose Carlos Pace e Vittorio Brambilla. No final, Carlos Garro ganhou uma etapa, e Pace a outra. Apesar do grande estardalhaço, o Maverick 4 cilindros não foi nem sucesso de pista, nem de vendas.

Foi em 1975 que o Copersucar Fittipaldi estreou nas pistas. O carro de linhas arrojadas foi bastante modificado quando finalmente alinhou em um GP, e não teve uma estréia muito auspiciosa. No final do ano, Wilson e seu irmão Emerson espantaram os seguidores da Fórmula 1, ao anunciarem a contratação de Emerson pela Copersucar, para o campeonato de 1976.

Wednesday, March 6, 2013

O Rally do Brasil de 1982

 

O Rally do Brasil de 1981 fora um sucesso. 53 carros participaram e 9 terminaram a corrida, disputada por diversas equipes estrangeiras. A prova, que foi válida somente para o campeonato mundial de pilotos de Rallye, foi ganha por Ari Vatanen - sim o mesmo cara que estava concorrendo para a presidência da FIA nesse ano.

Jé em 1982 as coisas não saíram tão bem. O Rallye do Brasil era programado como sequência do Rally Codasur, na Argentina, assim aproveitando o grande custo de transporte das equipes para a América do Sul. Só que em 1982, devido à Guerra das Malvinas, o Codasur foi cancelado. E muito pouca gente boa veio para o Rallye do Brasil.

A única vantagem, no papel, é que a estatura do Rallye foi elevada, pois a corrida de 1982 valeria para o campeonato de marcas e de pilotos. Só que isso não influenciou a decisão de muitos participantes, e no fim das contas, de bom mesmo vieram dois carros da Audi e um da Opel. Um Datsun de Shekhar Mehta e um Ford de Domingo DeVitta, também participaram. O resto, brazucas.
Os Audi foram pilotados pela francesa Michelle Mouton e Hannu Mikkola, e o Opel, por Walter Rohrl.

O Rallye teve quatro dias, e um pouco antes da prova, seu diretor foi despedido, causando um pouco de confusão. Mikkola liderou no início, mas acabou abandonando e deixando o caminho para Michele Mouton, cuja navegadora também era uma mulher, Fabrizia Pons. Mouton também teve problemas no início do Rallye, e foi ultrapassada por Rohrl, que manteve a liderança por dois dias e meio, só que Mouton conseguiu recuperar o tempo perdido, e ganhou mais uma prova para a Audi.

Mouton - vencedora no Brasil
Devitta chegou em terceiro, e os primeiros brasileiros foram Rodrigues e Mattos, com um VW Passat. Outro Passat, de Costa e Vieira, chegou em quinto, mas não pontuou por correr com motor a álcool.

O Rallye do Brasil, que ocorreu em 10 a 15 de agosto, foi de longe o Rallye mais fraco do ano.

MARCAS DE CARROS QUE JÁ COMPETIRAM NO BRASIL

 

Mais uma das minhas listinhas. Esta é uma listona. Sei que devo ter esquecido muitas marcas, inclusive uma ou outra de F-1. Também ficam excluídos dezenas de carros meramente identificados como protótipos com mecânica VW, DKW, Chevrolet, Gordini, Corcel, Simca, e etc., além de carreteras, que na realidade são incluídas nos carros em que baseavam. Também excluem-se os diversos híbridos do automobilismo brasileiro. Quando você lembrar de alguma marca não incluída, envie um comentário. Lembrem-se que não estou incluindo MODELOS, e sim marcas. portanto, Cortina não pode, por que é Ford, etc. Quando acabarmos de fazer esta lista, juntos, será a mais completa compilada até hoje. Vai ser divertido.
ABARTH
AC
ADLER
AGS
ALBATROZ
ALDEE
ALFA ROMEO
ALFAZONI
ALLARD
ALPINE
AMATO
ANDRÉA MODA
ARAGANO
ARANAE
ARROWS
AS
ASTON MARTIN
AS-VECTRA
ATS
AUBURN
AUDI
AUSTIN HEALEY
AUTO-UNION
AVALLONE
BAUER
BENNETON
BERTA
BINO
BMW
BORGWARD
BRABHAM
BRASINCA
BRISTOL
BRM
BRV
BUGATTI
BUICK
CAÇADOR DE ESTRELAS
CAMBER-VW
CAMILO ESPECIAL
CASARI
CHEVROLET
CHEVRON
CHRYSLER
CIAI
CIANCIARUSO
CISITALIA
CITROEN
COLONI
CREATION
CROSS
CUNNINGHAM
DALLARA
DE SOTO
DIMEP
DKW
DODGE
DUCHEN ESPECIAL
EAGLE
ELGAR
ENRICONE
ENSIGN
ESPRON
ESQUALUS
EURO-BRUN
FECA
FEIRENSE
FERRARI
FERRARIS
FIAT
FITTI
FITTIPALDI
FNM
FOMET
FOOTWORK
FORCE-INDIA
FORD
FORTI
FT-VOLVO
FURIA
GARGIULO
GAZON
GOVESA
GRAC
GRAHAM
GRIPOKA-CORCEL
HAWKE
HESKETH
HEVE
HISPANO SUIZA
HONDA
HONSI ESPECIAL
HORUS
HUDSON
IDEAL
ISO-MARLBORO
JAGUAR
JAJA
JAMARO
JORDAN
KAIMANN
KINKO’S
KISSEL
LA SALLE
LADA
LAMBO
LAMBORGHINI
LANCIA
LANDI-BIANCO
LARROUSE
LEYTON HOUSE
LIFE
LIGIER
LINCOLN
LOLA
LORENA
LOTUS
LSITER-STORM
LUL’S
MACON
MALZONI
MANTA
MARAZZI
MARCH
MARCILIO
MASERATI
MAVICAPACHE
MC
MCLAREN
MCR
MERCEDES-BENZ
MERCURY
MERLYN
MERZARIO
META-20
MG
MIDLAND
MILLI
MINARDI
MINELLI
MINHO
MINI-COOPER
MISTRALE
MITSUBISHI
MOMO
MORGAN
MRX
MUELLER
MUFFATAO
NASH
NEWCAR
NISSAN
OCR
OM
ONÇA
ONYX
OPEL
OSELLA
PACIFIC
PARNELLI
PATECO
PATI
PATINHO FEIO
PC
PENSKE
PESCAROLO
PEUGEOT
PILBEAM
POLAR
PORSCHE
POZZI
PREDADOR
PREDADOR
PROST
PROT. BIMOTOR
PROT. REGENTE
PROTON
PROTOS
PROTÓTIPO OK
PRSPECIAL
PUMA
RADICAL
RALT
RAM
RED BULL
REINEL
RENAULT
REPE
REQUEJO
REYNARD
RIAL
RIO
ROVE
ROYALE
SAAB
SABRE
SANTILLI-ECLIPSE
SAUBER
SEAT
SERVI
SHADOW
SIMCA
SIMTEK
SKODA
SKORPIU
SNOB’S-COVAIR
SPADACINI
SPIRIT
SPORIU
SPRINT
SPYDER
SPYKER
SQUALUS
STACCHINI
STEWART
STUDEBAKER
SUBARU
SUPER-AGURI
SURTEES
SWIFT
TALBOT
TANGO BMW
TATUUS
TECHSPEED
TECNO
TF-01
THEODORE
TITAN
TM-1
TOLEMAN
TORO ROSSO
TORQUE
TOYOTA
TRUENO SPRINT
TUBARAO
TUBULARTE
TYRREL
VBS
VENTURA
VENTURI
VIG
VOLUNTA
VOLVO
VW
WANDERER
WAYNE
WILLIAMS
WILLYS
ZAKSPEED
ZF01
ZYTEK

O calendário de 1970

 

Podem me chamar de repetitivo. Não me importo, até encaro como um elogio. Pois repetitiva é a história, assim se o historiador está sendo repetitivo significa que está realizando sua tarefa corretamente.

Assim, vamos discorrer um pouco sobre o calendário automobilístico brasileiro de 1970.
A CBA decidira estabelecer dois campeonatos brasileiros para aquele ano, um Campeonato Brasileiro de Pilotos e um Campeonato Brasileiro de Marcas. Nem sinal da Fórmula-Vê, cujo atestado de óbito era então assinado, pelo menos como categoria nacional, nem tampouco da recém nascida Fórmula-Brasil. Ou seja, o país voltava a ficar completamente carente de corridas de monopostos, apesar da recém bem sucedida Temporada BUA de Fórmula Ford.

O pomposo Campeonato Brasileiro de Pilotos teria cinco provas, todas de longa distância - 3 Horas da Guanabara, 300 km de Porto Alegre, 250 km de Fortaleza, 300 km de Interlagos e 3 Horas de Curitiba. Não ficou claro se a Confederação tencionava realizar a prova de Porto Alegre em Tarumã, autódromo que já estava em construção há alguns anos. De qualquer modo, o autódromo acabou sendo inaugurado muitos meses depois da data marcada para a corrida, 12 de julho. Se, de fato, a CBA pretendia realizar a prova em Tarumã, seria o primeiro calendário brasileiro com provas marcadas exclusivamente em autódromos.

A pontuação seguiria o esquema da F-1, 9-6-4-3-2-1, e era pemitida a participação exclusiva de POCs, pilotos oficiais de competição.

Não é preciso dizer que o campeonato não saiu do papel, pois nenhuma das provas planejadas ocorreu.

Já o Campeonato Brasileiro de Marcas previa a participação de carros de Turismo Brasileiro, Esporte Nacional, Esporte Livre e Carros Importados. Haveria três campeões, com a Esporte Livre e Carros Importados pontuando na geral, e as duas categorias "brasileiras" com pontuação separada.
O campeonato de marcas previa o máximo de seis corridas, e mínimo de 4. Preliminarmente, estavam incluídas no campeonato os 1000 km de Brasilia, 12 Horas de Interlagos, 500 km de Salvador, 12 Horas de Porto Alegre, 1000 Milhas Brasileiras e 1000 km da Guanabara. Das seis corridas planejadas, foram realizadas somente três, a de Brasilia e as duas de Interlagos. Ou seja, como o campeonato previa o mínimo de quatro provas, não foram declarados campeões.

O esquema de premiação previa o mínimo de NCr$25.000 para provas de autódromo e NCr$15.000 para provas de rua, no campeonato de pilotos, e NCr$40.000 e NCr$30.000 no campeonato de Marcas.

Obviamente, tudo em tese, pois os campeonatos não aconteceram e, de fato não houve campeão brasileiro de automobilismo em 1970.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo, e às vezes, repetitivo repetitivo

Festival de besteiras, em bytes e papel

Um dia desses, um amigo me recomendou ver uma foto num blog, de uma corrida nos anos 70. A corrida foi identificada erroneamente, assim como os carros e pilotos. As bobagens dos comentários só levavam a caminhos mais tortuosos ainda. Tentei comentar e corrigir, porém, tinha que fazer algum tipo de inscrição e estava muito ocupado. A besteira vai continuar no ar.

O pior é que muitos vão insistir que os "fatos" apresentados são verdadeiros, quando não são. E discussôes intermináveis permanecerão na blogosfera para sempre.

Não sou imune a erros. Nas últimas duas semanas, o amigo Paulo Lava detectou dois pequenos erros em dois textos meus. Depois de comprovado o fato, um deles foi corrigido imediatamente. O outro requer uma explicação mais longa.

Daí me dou conta de que informações furadas são uma tradição na cobertura automobilística, e por conseguinte, até mesmo nos livros e blogs.

Eis algumas, das mais recentes que li.

Um artigo sobre Pedro Paulo Diniz informa, com autoridade, que seu pai Abilio ganhou as 24 Horas de Interlagos. Mentira. Ganhou as 12 Horas e as Mil Milhas.

A manchete dos 500 km de Interlagos de 1972, na revista QR, tem a palavra Interlagos escrita, em caixa grande INTERLARGOS (edição de Outubro de 1972).

Um jornalista cobrindo a Stockcar para uma revista ESPECIALIZADA em automobilismo, nos anos 90, nos informa, em primeira mão, que o Ingo Hoffmann é mineiro...

Nelson Piquet é identificado como Nelson Pikaet, num artigo sobre kart na QR. Ainda bem que não escreveram Pikaret.

Os livros de automobilismo, vendidos a preço de ouro no Brasil, também contêm miríades de erros, alguns sobre fatos muito básicos, de amplo conhecimento. Como confiar, então, nos "furos exclusivos" e informações obscuras?

Não vou mencionar nomes, pois meu intuito não é criar inimizadas, porém um livro escrito por um ex-repórter que cobriu a F1 nos anos 70 contém tantos erros que nem parece que foi o dito cujo que o escreveu.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo, e também erra. Só não ganha um centavo para escrever sobre o assunto.

Tuesday, March 5, 2013

RESENHA DA TEMPORADA DE 1973

 

Por Carlos de Paula

A temporada de 1973 foi a última do período do “Milagre Brasileiro”, propiciado com a guerra de outubro entre Israel e os países árabes, e que resultou no uso do preço do petróleo como arma.

Também foi o ano em que foi realizado o primeiro GP do Brasil válido para o Mundial de Pilotos, assim inserindo o Brasil definitivamente no automobilismo internacional.

Outro fato notável foi a proibição do uso de carros de competição importados no Brasil, que por um lado, resultou na aposentadoria dos diversos Porsches, Alfas, BMWs e Lolas que corriam no Brasil, por outro, forçou a fabricação de carros de competição no Brasil. Entre outros, destacaram-se a Heve, Avallone, Polar, Manta e Kaimann.

Ocorreram três campeonatos nacionais em 1973. Um de protótipos, a Divisão 4, um campeonato de carros Turismo, Divisão 3 e o Torneio de Fórmula Ford.

O campeonato de Divisão 4 contou com a participação de diversos pilotos de categoria, como Francisco Lameirão, Pedro Victor de Lamare, Nilson Clemente, Camilo Cristofaro, Antonio Carlos Avallone, Jan Balder e os emergentes Pedro Muffato e Arthur Bragantini, na divisão B. Os carros dominantes eram os Avallone, que vinham em três motorizações: Chrysler (mais comum, motor do Charger), Ford (motor do Maverick 302) e Chevrolet (motor do Opala 4.1). A classe A foi dominada por carros com motor VW, e pelo carioca Maurício Chulam. Entre outros pilotos notáveis que participaram do campeonato encontravam-se Sergio Benoni Sandri, Jan Balder, Newton Pereira, José Pedro Chateaubriand e Jaime Levy. O campeonato contou com oito etapas, em quatro autódromos (Interlagos, Tarumã, Curitiba e Cascavel), e Avallone ganhou a classe B, e Chulam, a Classe A.

A Divisão 3 foi dominada, pelo terceiro ano seguido, por Pedro Victor de Lamare, com um Opala cor de laranja da Equipe Eletroradiobraz. Diversos pilotos correram na classe C, a classe dos Opalas, entre outros, Julio Tedesco, Luis Landi (filho de Chico), Jose Pedro Chateaubriand, Luis Pereira Bueno, Antonio Castro Prado, Celso Frare, Roberto Alves, Jose Argentino, Nelson Silva. Notável foi a competitividade dos fuscas da classe A, que muitas vezes superavam a maioria dos Opalas na pista. De fato, Fausto Dabbur superou os Opala numa corrida noturna em Porto Alegre. O campeão foi o estreante Ingo Hoffmann, que viria a ser o piloto mais vitorioso do automobilismo nacional, mas outros notáveis foram Edson Yoshikuma, Alfredo Guaraná Menezes, Alex Dias Ribeiro, Alfredo Menezes de Mattos, Ney Faustini, Julio Caio, Newton Pereira (que correu com Chevette). A pobre classe B, nunca muito disputada, morreu de vez no ano. A categoria que tinha três concorrentes potenciais, o FNM, o Opala 4 cilindros e o velho Simca, atraiu muito poucos concorrentes. De Lamare foi o campeão na classe C, Evaldo Vita na B e Ingo na A.


Dois pilotos dominaram a Fórmula-Ford: Alex Dias Ribeiro, da equipe Hollywood, e o gaúcho Clóvis de Moraes, da Shelton. Alex acabou levando o título, ganhando quatro corridas contra duas de Clóvis. Chico Lameirão também participou da categoria, ganhando a etapa de Curitiba com o seu carro patrocinado pela Motoradio. A maioria das etapas contava com mais de 20 carros, e entre outros, participaram da categoria em 1973 (além dos indicados acima), Angi Munhoz, Julio Caio, Pedro Carneiro Pereira, Jose Pedro Chateaubriand, Francisco Feoli, Mauricio Chulam, Ricardo di Loreto, Amedeo Ferri e Sergio Blauth. O ano acabou sendo significativo para a categoria, pois foi o último em que reinou suprema como categoria monoposto no Brasil. No ano seguinte estreou a Fórmula Super-Vê, que superou completamente a Fórmula Ford em prestígio.

As provas de longa duração voltaram em 1973, com a bem sucedida realização das 25 Horas de Interlagos . Com a prova estreava a categoria Divisão 1 (carros de turismo com muito pouco preparo) e três carros notáveis, o Maverick, Chevette e o Dodge 1800. Nas 25 Horas, criaram-se cinco categorias, de certa forma para garantir vitórias a todos os fabricantes, mas no final das contas, a categoria se restringiu a três classes. Embora na primeira prova parecia que a briga entre os Maverick e os Opala seria nivelada, o Maverick acabou ganhando todas as corridas de Divisão 1 do ano (exceto a de Cascavel, que só contou com carros de pequena cilindrada), inclusive os 500 Km de Interlagos. Nilson Clemente e seu irmão, o veterano Bird Clemente, ganharam diversas provas, inclusive as Mil Milhas, que voltavam ao calendário brasileiro pela primeira vez desde 1970. Esta foi disputada com carros de divisão 3, com largada típica a meia-noite, e transmissão ao vivo pela Rádio Jovem Pan. O dominante Pedro Victor de Lamare largou na frente e abriu grande diferença, mas não agüentou o ritmo. No final, ganharam Nilson e Bird Clemente.

O Rio Grande do Sul continuou a realizar seus campeonatos de Fórmula Ford e Divisão 3. As atividades regionais foram mais restritas em São Paulo e Paraná. Realizou-se um campeonato regional de divisão 3 no Ceará, com corridas no Autódromo Virgilio Távora, no qual se distinguiu Roberto Fiusa.

Outros fatos notáveis foram a inauguração da pista asfaltada de Cascavel, o primeiro autódromo de cidade interiorana no Brasil. O terrível acidente em uma prova de Divisão 3 do campeonato gaúcho, em Tarumã, onde morreram o popular radialista Pedro Carneiro Pereira e Ivan Iglésias. A realização de uma prova de fórmula Vê, em Tarumã, como teste da possível volta da categoria no Brasil.