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Saturday, March 23, 2013

Os melhores momentos de José Carlos Pace no automobilismo internacional

 

A carreira internacional de Pace durou de 1970 ao início de 1977.

Até 1973, Pace disputou provas em diversas categorias, passando a se concentrar na F1 de 1974 em diante.

Na F3, na minha opinião o melhor momento de Pace foi sua vitória em Croft, em 1970. Não foi a primeira, nem a última vitória, mas foi a melhor. Em 1970, havia dois tipos de provas de F3. As coisas eram bem diferentes na categoria, que hoje tem seu cirquinho permanente. Havia corridas de uma bateria, geralmente disputadas por poucos carros, e provas mais importantes, de duas baterias classificatórias, e uma final. A corrida de Croft, chamada Guards Trophy, foi uma prova importante, com muitos pilotos que um dia teriam carreiras importantes. O futuro campeão mundial James Hunt, David Walker, David Purley, Tom Walkinshaw, Tony Trimmer, Freddy Kottulinsky, Jean Pierre Jaussaud, Mike Beuttler, Gerry Birrel, Harald Ertl, Bev Bond, Ian Ashley e Mikko Kozarowitsky disputaram a prova. Entre os inscritos que não correram, um certo austríaco desconhecido chamado Niki Lauda, que pilotaria um McNamara. Além destes o também brasileiro Wilson Fittipaldi Junior.
Pace marcou somente o sétimo tempo na sua bateria, mas ganhou com 4 décimos de segundo de diferença sobre Kottulinsky. Na segunda classificatória, o vencedor foi David Walker. Detalhe, Walker corria na equipe de fábrica da Lotus, com Bev Bond.

Na final, embora tenha ganho sua bateria, Pace largou em sétimo novamente, por que as posições na largada da final se basearam nos tempos obtidos nas classificatórias, e a segunda bateria foi muito mais rápida. Walker resolveu grande parte do problema se acidentando na primeira volta, deixando o espaço livre para Moco papar diversos concorrentes e chegar junto com Jurg Dubler, num final fotográfico. Os resultados demonstram o mesmo tempo para os pilotos 36 minutos, dois segundos e 2 décimos.

Na F2, é fácil dizer que os melhores momentos de Moco foram suas vitórias em Imola e Interlagos. Entretanto, a meu ver, seu melhor momento foi na prova de Thruxthon, que também era a estreia de Moco na fraca equipe Pygmée. Pace marcou o melhor tempo na sua classificatória, largou mal, mas logo atingiu a ponta. Não ganhou, mas só o fato de liderar uma prova de F2 com um Pygmée, na velocidade, fazem desta uma performance especial. Entre os concorrentes desta bateria estavam Jody Scheckter e Niki Lauda, dois futuros concorrentes na F1.

Nos protótipos, muitos diriam que a melhor prova de Moco foi Le Mans em 1973, na qual obteve o segundo lugar com Arturo Merzario. A meu ver, entretanto, a melhor performance de Moco na categoria foi justamente sua estreia na Ferrari, fazendo dupla com Helmut Marko nos 1000 km de Oesterreichring de 1972. Nessa corrida, a Ferrari alinhou quatro carros, os outros três com pilotos efetivos da Scuderia. Pace-Marko fizeram umaa excelente corrida, no quarto carro da equipe, chegando em segundo no último 1-2-3-4 da Ferrari no Mundial de Marcas.

Quanto à F1, novamente, seria fácil dizer que a vitória de Interlagos foi o melhor momento de Pace. Entretanto, acho que seu melhor momento, comemorado inclusive com uma linda capa da revista Auto Esporte, foram os GPs da Alemanha e Áustria de 1973. Nessas corridas, Pace tinha em mãos um Surtees, que não demonstrou ser grande coisa durante o campeonato. Na Alemanha, Pace chegou em quarto, liderando um trio de brasileiros, e batendo o recorde de volta diversas vezes no lendário Nordschleife. Além disso, em terceiro chegou Jacky Ickx, considerado o rei do Ring, num carro ultracompetitivo, o McLaren M23. Nesse dia não conseguiu bater Pace em velocidade.

Na Áustria, Moco foi novamente velocíssimo, e naquela feita, chegou em terceiro com o Surtees, marcando mais uma vez a volta mais rápida.

Infelizmente, nas três provas que faltavam o Surtees, equipado com pneus Firestone, não demonstrou muita velocidade.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo, e apesar das intrigas da oposição, grande fã de José Carlos Pace

Wednesday, March 20, 2013

Vitoriosos na classe GT do Mundial de Marcas, 1972 a 1975



Outro dia escrevi sobre os vitoriosos da classe 2 Litros no MM, de 1972 a 1976. Hoje é a vez de outra classe importante, a classe GT. Os grids do MM foram povoados de inúmeros Porsche 911, e seus derivativos, mas outros carros importantes, como o De Tomaso, Corvette e a Ferrari Daytona também ganharam corridas na categoria.

O grande vencedor foi o inglês John Fitzparick com nove vitórias. John continuou ganhando durante a fase do Grupo 5, foi campeão da IMSA e também duas vezes campeão europeu de GT.
Muitos Porsche 911 e a Lancia Stratos que chegou em segundo na Targa Florio de 1973 concorreram na classe protótipos.

Eis os vencedores

1972
Buenos Aires - não concorreram
Daytona - Peter Gregg - Hurley Haywood, Porsche 911
Sebring - David Heinz - Robert Johnson, Chevrolet Corvette
Brands Hatch - não concorreram
SPA - J. Jacquemin - Yves Duprez, de Tomaso Pantera
Monza - Ugo Locatelli - Gianfranco Palazolli - De Tomaso Pantera
Targa Florio - Gabrielle Gottifredi - Pino Pica - Porsche 911
Nurburgring - J. Fitzpatrick - Erwin Kremer - Porsche 911
Le Mans - Claude Ballot-Lena - J.C. Andruet - Ferrari 365GTB4
Oesterreichring - Alex Janda - Hans Schultze Schwering - De Tomaso Pantera
Watkins Glen - J.P. Jarier - Gregg Young - Ferrari 365GB4

1973
Daytona - Francois Migault - Milt Minter - Ferrari 365 GTB4
Vallelunga - George Follmer - Willy Kauhsen - Porsche 911
Dijon - Herbert Muller - Gijs Van Lennep - Porsche 911
Monza - Clemens Schickentanz - E. Kremer - Porsche 911
SPA - G. Follmer - Reinhold Jost - Porsche 911
Targa Florio - Giovanni Barri - Mario Barone - Porsche 911
Nurburgring - Paul Keller - Jurgen Neuhaus - Porsche 911
Le Mans - Clause Ballot Lena - Vic Elford - Ferrari 365GTB4
Oesterreichring - Sem concorrentes
Watkins Glen - Mike Keyser - Milt Minter - Porsche 911

1974
Monza - J. Fitzpatrick - Georg Loos - Porsche 911
SPA - J. Fitzpatrick - Jurgen Barth - Porsche 911
Nurburgring - J. Barth - J Fitzpatrick - Porsche 911
Imola - Hans Heyer - P. Keller - Porsche 911
Le Mans - Cyril Grandet - Dominique Bardini, Ferrari 365 GTB4
Oesterreichring - P. Keller - E. Kremer - Porsche 911
Wakins Glen - Sam Posey - David Hobbs - Elliot Forbes-Robinson Porsche 911
Paul Ricard - Tim Schenken - Rolf Stommelen - Porsche 911
Brands Hach - J Fitzpatrick - Toine Hezemans - T. Schenken - Porsche 911
Kyalami - J. Fitapatrick - R. Stommelen - T. Schenken - Porsche 911

1975
Daytona - Jon Woodner - Fred Philipis - Ferrari GB4
Mugello - Manfred Schurti - T. Hezemans - J. Fitzpatrick - Porsche 911
Dijon - J Fitzpatrick - T. Hezemans - Porsche 911
Monza - Sem concorrenes
SPA - Claude Haldi - Bernard Beguin - Porsche 911
Coppa Florio - Hartwig Bertrams - Clemens Schickentanz - Reine Wissel - Porsche 911
Nurburgring - Helmut Kelleners - H. Heyer - Bob Wollek - Porsche 911
Oesterreichring - Franz Doppler - Horst Felbermayer - Porsche 911
Watkins Glen - Bog Hagestad - Hurley Haywood - Porsche 911

1976 - Toine Hezemans ganhou a classe GT da corrida de Nurburgring para carros do Grupo 6, com Porsche 934

Temporada de 1972, anti-informação - não é de hoje que existe


Tinha uma amiga na faculdade que era metida a saber de tudo. Um dia, descobriu que eu gostava (entendia) de automobilismo, e criou uma enorme celeuma comigo, insistindo que a Lamborghini tinha uma equipe de F-1. Estávamos no começo dos anos 80, os carros da Lamborghini nem eram homologados para corridas, muito menos havia Lamborghinis de F1. Eventualmente, motores Lamborghini equiparam carros d acategoria, houve até um carro chamado Lambo (melhor seria Lambança) e os carros da marca, hoje em mãos da VW, até que se tornaram carros de corrida decentes, além de serem devidamente homologados para as competições.

Sei lá, de repente ela era vidente...

Fiquei tão assustado com a certeza demonstrada pela Janelle - esse era o nome da minha amiga - que cheguei a duvidar dos meus conhecimentos da história do automobilismo, confesso que na época ainda precários.

Escrever sobre a história do automobilismo brasileiro é frequentemente difícil por que a história e as estórias muitas vezes se imiscuem, e dezenas de Janelles insistem em dizer que certas coisas aconteceram - quando não há nenhum indício das ocorrências.

Em 1972 havia somente duas revistas de circulação nacional que tratavam do assunto automobilismo no Brasil. 1972 foi um ano curioso para as duas, Auto Esporte e Quatro Rodas, por que de repente surgiu um público novo que passou a se interessar pelo automobilismo de competição internacional, com as vitórias de Emerson Fittipaldi na Europa. Assim, as revistas passaram a atender os anseios deste público, ao mesmo tempo que a cobertura de eventos domésticos piorava, por uma série de razões.

A culpa não era só das revistas, lógico. Interlagos voltara a ficar alguns meses fechado para reformas, o que bagunçou um pouco o calendário nacional. As corridas rarearam, assim, era difícil achar pauta para a cobertura do automobilismo nacional, por que não estava acontecendo quase nada. O que levou à publicação de uma série de coisas tidas como certas, que nunca aconteceram.

Como sempre, o calendário do automobilismo brasileiro publicado pelas revistas tinha elementos de obra de ficção, embora o de 1972 fosse um pouquinho melhor em relação a anos anteriores. Entre outras fábulas, o calendário tinha uma 24 Horas de Interlagos e 1000 Milhas que nunca chegaram perto de ser realizadas. Sem contar as etapas não realizadas de campeonatos brasileiros. Nesse caso, repito, a culpa não era das revistas.

Com falta de ter o que falar, a revista AE gastou quatro longas páginas anunciando a compra de um protótipo argentino, o Trueno-Sprint, por Pedro Victor de Lamare, para disputar a mítica série SUDAM, que também fazia muito furor nas páginas das revistas. Algo deve ter dado muito errado, pois PV nunca usou o tal carro, de fato, na única prova SUDAM que ocorreu, na Argentina, PV já estava munido de um Avallone-Chevrolet, que usou nos próximos dois anos.

Num outro longo artigo que tratava do rompimento da Bino-Samdaco e da Equipe Greco, fomos informados que Totó Porto disputaria corridas com um Royale, pela Bino-Samdaco, e que Greco continuaria a fabricar Formula Ford, e também alinharia carros na categoria, incluindo entre os pilotos (sim, plural) Tite Catapani. Nada disto aconteceu, lógico.

O GP do Brasil também rendeu muitos "furos". A lista de inscritos, tida como "certa", afinal de contas Scavone tinha ido assinar o contrato na Europa e o prêmio de largada fora pago adiantado, segundo reportagens, incluía Clay Regazzoni com Ferrari, nada menos do que dois Tecnos com Derek Bell e Nanni Galli, Andrea de Adamich com Surtees, além de outras possibilidades (na realidade, as tais possibilidades incluíam quase o grid inteiro da F1, como as equipes Tyrrell, Matra-Simca e McLaren, que dificilmente se interessariam pela corrida). Até o Lian Duarte aparecia como possível concorrente, além do improvável David Charlton, com seu Lotus 72 sul-africano. O mais engraçado, de fato, foi a lista de pilotos reserva - Sam Posey, Allan Rollinson e Gijs Van Lennep. Posey já tinha corrido na F1, mas exatamente o que ele viria fazer no Brasil, não tenho ideia. Já Allan Rollinson nunca correu no mundial de F1, antes ou depois. Gijs Van Lennep fazia um pouco de sentido. A BRM tinha estruturado uma equipe principal naquele ano, patrocinada pela Marlboro, e diversas equipes de países, a Marlboro-Austria (Helmut Marko), Marlboro-Espanha (Alex Soler Roig) e a Marlboro-Holanda (Gijs van Lennep). A última nunca saiu do papel, e as outras duas duraram pouco.

Com a falta de pauta doméstica, as revistas acabavam colocando notícias internacionais nada interessantes. O acidente do desconhecido piloto de F-2 Dick Barber, foi tratado com requintes de suma importância pela revista AE, com direito a nove fotografias! O acidente não me pareceu nada grave, e Dick Barber desapareceu nas notas de rodapé do esporte auto-motor.

Curiosamente, as revistas omitiam ou restringiam a cobertura de coisas que realmente aconteceram no Brasil! No caso da AE, por exemplo, a segunda e terceira etapas do Campeonato Nacional de Formula Ford, patrocinado pela Texaco, foram apertadas em uma única página, com uma burocrática foto. Era de se esperar uma cobertura melhorzinha na próxima edição, mas que nada! Corridas do Paraná, Brasília, Nordeste e Rio Grande do Sul raramente eram mencionadas.

Nem mesmo a primeira prova com o nome de Stockcar realizada no Rio de Janeiro, que contou com pilotos famosos, foi sequer mencionada pela carioca Auto Esporte!

Em suma, só posso dizer que foi um ano curioso. A Janelle iria gostar.