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Thursday, March 7, 2013

Humilde variedade



Segundo disse num outro post em algum lugar, quando a situação do campeonato Mundial de Marcas complicava, com falta de pilotos e carros participantes de boa categoria, a FIA apelava, e incluía provas de outras disciplinas nos campeonatos. Sob o ponto de vista prático, isto nada ajudou os combalidos campeonatos, de certa forma afetou ainda mais a reputação do Mundial na época, dando uma ideia de bagunça e falta de seriedade. Por outro lado, deu a muitos pilotos obscuros o prazer de dizer que um dia competiram numa prova de campeonato mundial. E alguns poucos o prazer de dizer que ganharam uma prova de um campeonato mundial.

Outro lado positivo foi a inserção de uma série de marcas e modelos que raramente competiam em provas de alto nível, mas que nessas corridas tinham uma chance de fazer bonito. A variedade era incrível.

Nos 500 km de Nurburgring de 1964, por exemplo, as seguintes marcas e modelos estavam presentes entre os 86 carros que largaram, inclusive um carro que competia no Brasil na época (o Gordini): Abarth-Simca 1300, MG-Midget, Fiat-Abarth (1000, 1000 Belina, 850 TC), Mini Cooper S, Glas 1204, Saab 96, Honda S600, DKW F12, Auto Union Junior, BMW 700 S, Marcos (GT, Fastback), Alfa Romeo Giulietta, NSU Prinz, Diva GT, Opel Kadett, Martini-BMW, Austin-Healey Sprite, Emery-Hillman, Renault Dauphine, Martini-Austin Cooper. Além destes alguns carros de outras marcas estavam inscritos, mas não largaram ou não apareceram: Lotus, Hilmann Imp, Ford Cortina, Rene Bonnett Djet. O modelo de DKW que disputou esta corrida era bem diferente dos DKW-Vemag brasileiros.

Largada dos 500 km de 1963 - Chance dos pequenos e humildes

Nos anos 70 e 80, a prova comparável era a 6 Horas de Daytona, que era uma etapa do campeonato Showroom Stock da IMSA. Apesar da prova ser válida para o Mundial, a grande maioria dos pilotos era americana, com dois canadenses proporcionando um pouco de variedade. Em termos de carros e marcas havia muita variedade. Vejamos a prova de 1979. Este era o único campeonato em que carros da American Motors faziam bonito e de fato, havia diversos modelos da marca presentes: Spirit, Concord, Pacer e Gremlin. Além destes, diversos outros carros e modelos competiram na prova de 1979: Mazda RX3 e RX2, Chevrolet Vega, Buick Skyhawk, Datsun 200 SX, 710, 510 e B210, Alfa Romeo Alfetta, Plymouth Arrow, Honda Civic, Ford Capri, Pinto e Maverick, BMW 2002 e 320i, Oldsmobile Starfire. Ou seja 21 modelos diferentes. Coisa rara de se ver hoje em dia.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo e se amarra em variedade nas pistas.

Sunday, February 10, 2013

Diversidade nas pistas

Hoje em dia vende-se mais de 400 modelos de carros diferentes no Brasil. Entretanto, apesar de tanta variedade nas ruas, não se vê muita diversidade nas pistas.

Há uma série de razões para isso, lógico, e o propósito não é discuti-las. Entre elas, nem todos os carros foram feitos para correr, a maioria das fábricas não se interessa por competições, e hoje o automobilismo é muito mais profissionalizado do que outrora.

Nos anos 60, com o envolvimento das fábricas nas corridas, e o início de fabricação de carros nacionais na década anterior, os carros Made in Brazil tomaram conta das nossas corridas. Apesar disso, a variedade de carros que disputaram corridas no Brasil nessas duas décadas, de 50 e 60, foi excepcional, apesar de as corridas serem poucas, e o esquema bastante primitivo.

Entre os carros de turismo e GT, nossas pistas foram agraciadas, nessas duas décadas, por Simca, DKW, FNM, Alfa Romeo, VW, Karmann-Ghia, Aero Willys, Interlagos, Alpine, Simca-Abarth, Fiat-Abarth, Allard, Ferrari, Maserati, Porsche, Mercedes-Benz, Mini-Cooper, Citroen, Austin-Healey, MG, Jaguar, Brasinca (Uirapuru), Lorena, Opala, Corcel, Gordini (1093 e Dauphine), Borgward, Saab, Dodge Dart, Puma, Chevrolet Corvette, Malzoni, Chrysler, Volvo, Lancia, Renault, BMW, Lotus, Ford, Romi-Isetta.

Entre os carros de competição (protótipos e monopostos), tivemos um sem número de especiais que correram na Mecânica Nacional (depois Continental), muitos baseados em velhos Bugattis, Alfas e Maserati, outros construídos em casa, e rebatizados com nomes como Duchen Especial. Outros Mecânicas foram Alfas, Maseratis, Lancias e Ferraris adaptados com motores Chevrolet, Ford, Cadillac, Studebaker e Dodge, além dos Fórmula Junior de Chico Landi equipados com motores JK, Simca, DKW e Renault. Depois, muitos protótipos baseados em mecânica VW, DKW, Simca, Chevrolet, etc, que sequer receberam nomes. Estes foram construídos em São Paulo, Rio, Minas Gerais, Brasília, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, e também no Nordeste. Entretanto, alguns dos protótipos mais famosos dessa época encontram-se o Snob's-Corvair, AC, Bino, Tempestade, Alfazoni, Fitti-Porsche, VW Bi-motor, Pato-Feio, Caçador de Estrelas, elgar, além dos puros sangues estrangeiros Lola T70, Maserati, Ferrari, Lancia, Ford GT-40.

Sem contar também dezenas de carreteras  que disputaram corridas no Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina, todas com carrocerias individuais e diferentes, e motorização Ford, Chevrolet, Dodge e Cadillac. Além das pequenas carreteras FIAT, DKW e Renault, e híbridos como VW-Porsche, Karmann Ghia-Porsche e Karmann Ghia Corvair.

Somem-se a estes os Fórmulas Vê de 1967 a 1969, como Fitti, Aranae, AC, etc, e temos duas décadas com uma imensa variedade de carros na pista. Tempos que não voltam mais.

Carlos de Paula é tradutor, escritor e historiador de automobilismo baseado em Miami.